terça-feira, 17 de dezembro de 2019

O que todas as culturas têm em comum?

Cada vez que falarmos aqui de cultura, será preciso relembrar de que conceito de cultura estamos falando, que é a de cultura como fator identificador de um grupo social. 

Segundo o antropólogo americano Kluckhohn, cultura é um padrão de comportamento (modo de pensar, sentir e reagir de um grupo humano) que é adquirido e transmitido sobretudo por símbolos dentro desse grupo e que representa sua identidade específica. Ela inclui os objetos concretos produzidos pelo grupo e seu coração está nas ideias e valores tradicionais.

Baseado nesse conceito de cultura o psicólogo e pesquisador de culturas holandês Geert Hofstede* conduziu um estudo lá nos anos 1960-70 entre os funcionários da IBM em 50 países, no qual percebeu que todas as culturas têm traços em comum, que ele chamou de “dimensões culturais”, e o que determina a diferença entre as culturas é o grau de importância que cada dimensão cultural tem dentro delas.

As cinco dimensões culturais definidas inicialmente por Hofstede são:

- Distância do poder
- Aversão à incerteza
- Individualismo X coletivismo
- Masculinidade X Feminilidade
- Orientação de curto prazo X longo prazo 

Uma sexta dimensão foi definida depois desse primeiro estudo, a Indulgência x Restrição.

Cada uma dessas dimensões culturais mostra como determinada cultura se comporta em relação ao tema, indicando uma relativa previsibilidade de comportamento, o que é de grande valia quando se vai estabelecer relações com uma nova cultura. 

Para conhecer cada uma das dimensões culturais acima e entender como elas se apresentam em diferentes culturas, acompanhe os próximos posts, onde elas serão conceitualmente apresentadas, acompanhadas de um caso ilustrativo para melhor compreensão. 

Os conceitos apresentados nesse post que precisam ser anotados são:

- dimensões culturais
- padrão de comportamento
- identidade de grupo
- valores

*Geert Hofstede: é um especialista holandês em estudos culturais. Ele é professor emérito de antropologia organizacional e gestão internacional na Universidade de Maastricht, na Holanda. Sua área de pesquisa é a cultura organizacional e ele analisou as relações entre culturas nacionais e culturas corporativas. Sua análise ficou famosa por funcionários da empresa IBM.

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Competência Intercultural

Hoje em dia é muito comum ver em descrição de vagas de empregos a competência intercultural como um requisito no rol de soft skills, porém a definição de competência intercultural raramente é clara para quem se candidata a um emprego – talvez até para quem a colocou nos requisitos para a vaga. 

Competência intercultural é definida como “a capacidade de lidar com culturas diferentes e com as pessoas que a elas pertencem, com o seu sistema de valores e estilos de comunicação de uma forma respeitosamente adequada, de modo a poder comunicar-se com eles e compreendê-los”.

Cada cultura tem seu sistema de valores e seu estilo peculiar de comunicar-se. Portanto, ser interculturalmente competente vai muito além de ter boa relação interpessoal. A competência intercultural engloba outros dois conceitos importantes, como sistema de valores e estilos de comunicação, e se divide em três tipos: a competência intercultural cognitiva, a comportamental e a afetiva. 

O aspecto cognitivo da competência intercultural diz respeito ao conhecimento que se tem da própria cultura e da cultura com a qual se vai relacionar. Conhecer alguns hábitos e comportamentos ajudam imensamente na interação com uma cultura diferente. Por exemplo, num encontro com japoneses, ao entregar seu cartão de visita, é importante fazê-lo segurando o cartão com as duas mãos, o que para a cultura japonesa é um sinal de estima e consideração. Entregar o cartão usando apenas uma das mãos é considerado indelicado, e pode causar uma má impressão logo de entrada, comprometendo futuros negócios.

O aspecto afetivo refere-se à competência social da pessoa – aí sim a boa relação interpessoal conta. Aqui é fundamental ser capaz de responder emocionalmente de forma adequada, controlando eventuais reações negativas. Controlar a ansiedade, ter empatia e evitar o julgamento, sobretudo baseado em estereótipos, completam esse aspecto da competência intercultural. 

No aspecto comportamental interessa a abertura e a disponibilidade que se tem para interagir com culturas diferentes: “estou disposto a respeitar e aceitar o que não conheço e/ou não entendo?” é a pergunta central aqui. Aqui é preciso exercitar as habilidades verbais e não verbais da comunicação, a fim de se ter uma melhor compreensão do contexto e ser capaz de adaptar um comportamento com vistas a uma interação bem-sucedida.  


Só nessa breve definição de competência intercultural já vimos vários outros conceitos ligados à cultura: 

- Sistema de valores;
- Estilos de comunicação;
- Empatia;
- Estereótipo;
- Comunicação verbal e não verbal; 
- Abertura ao desconhecido...

Falaremos de todos esses conceitos. E pode ter certeza de que, ao falarmos desses, outros aparecerão. Vamos explorar juntos o tema cultura e intercultural. Fiquem ligados!

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